
Muita tinta já correu e muita há-de continuar a correr.
Uma coisa é (infelizmente) certa: às vítimas nunca ninguém vai conseguir restituir aquilo que lhes foi "roubado". Cada vez que eram abusadas, uma parte do seu ser era destruída sem dó nem piedade...
Confesso que me custa a acreditar que o Sr. Televisão tenha culpas no cartório. Aquela velha máxima do povo "onde há fumo, há fogo" já não se poderá aplicar aos dias de hoje, afinal há tantas máquinas concebidas para "fabricar" fumo. E aqui falo quer literal, quer metaforicamente.
Uma passagem, ainda que breve, pelo
sítio do Sr. Televisão deixou-me, sinceramente, com muitas dúvidas. Apresentou diversas e variadas provas da sua inocência.
E quantas vezes já nos deparámos com casos de pessoas que foram condenadas e presas e, ao fim de muitos anos, se descobriu que eram inocentes? Será um desses casos? Isso não sei. Não defendo, mas também não acuso ninguém. Deixo isso para as instâncias apropriadas.
Acredito que as condenações vêm satisfazer o desejo de "Justiça" apetecida pela sociedade e pelos meios de comunicação social.
Acredito que os maiores monstros não são os que vimos na televisão. Acredito que os maiores monstros nunca foram nem nunca vão ser apanhados; acredito que estão confortavelmente resfateladinhos, num qualquer destino paradisíaco a rirem-se da situação.
Se o Caso Casa Pia vai dar em alguma coisa? Vai, isso vai. Mas não se vai fazer justiça, infelizmente. Porque, se o primeiro episódio demorou 6 anos, então com recursos em cima de recursos, apenas vai resultar na prescrição da grande maioria dos crimes. Se concordo com isso? Obviamente que não. Porque, como ser humano que sou, só queria justiça para aqueles seres humanos maltratados. Mas justiça daquela mesmo justa, na verdadeira acepção da palavra. Sem carnavais nem novelas ou interesses à mistura. Será isso alguma vez possível?...