sábado, 14 de agosto de 2010

"Casa Comigo"


Por Marta Crawford, no I


"NOS ÚLTIMOS TEMPOS, tenho-me cruzado com pessoas com alguma resistência ao amor. Não penso que seja ao conceito de amor na sua essência, refiro-me à dificuldade que cada um tem em se deixar ir ao ponto de se querer apaixonar, amar, de arriscar ou de estar disponível para sofrer por amor. Parece ser mais fácil gostar pouco, não se envolver muito, defender-se da paixão, não amar - como se o "menos" ou o "moderado" fossem mais adequados aos tempo que correm. É melhor viver só do que estar condicionado às crueldades do amor, recorrendo antes a pequenos "tiques" ou "rituais" de engate e de distanciamento que facilitem o "segue e siga". Mas não será melhor sofrer por amor do que não sofrer por coisa nenhuma? Não será melhor saber o que é o amor e estar sujeito às suas contingências do que viver uma vida inteira a gostar em voz baixa? Para quê ter medo de amar se é esse o melhor de todos os projectos? Cada um vai construindo para si um significado muito próprio do que é o amor, da forma como necessita de viver esse amor, como este o pode preencher e até que ponto está disposto a lutar por ele. Cada indivíduo tem a sua história, cada história tem a sua carga, cada carga pode ser leve ou pesada, cada peso tem duas medidas, cada medida tem uma dimensão, cada dimensão tem inúmeras hipóteses, e cada hipótese que escolhemos vai forjando a nossa história pessoal. O que nos faz querer sair de dentro de nós próprios e correr atrás de uma nova oportunidade? O que nos leva a dizer a alguém: "Casa comigo!" "


Ou, como diria Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".

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